Canoinhas


O CONTESTADO.
A criação de Canoinhas.

    Em 1889, Francisco de Paula Pereira, proprietário de um engenho de erva-mate em São Bento, com algumas famílias da região,transfere-se para as margens do
Rio Canoinhas, 100 quilômetros na direção oeste do ponto de partida, porque ali estava a erva-mate que em São Bento ele comprava dos caboclos.

  Estabelecidos a poucos quilômetros da margem esquerda do Rio Negro, era natural que os novos povoadores catarinenses viessem a sofrer os atropelos e as correrias de um território contestado por Santa Catarina e pelo Paraná. Por isso, nos primeiros tempos, o novo núcleo vive uma situação de terra-de-ninguém e de todos. E seus habitantes não contam com o apoio de qualquer autoridade porque nenhum dos dois estados se atreve a exercer a respectiva jurisdição plena.

  O território em disputa transforma-se num paraíso sem impostos e num refúgio sem castigo para toda a espécie de impostores. Na tentativa de reverter a perigosasituação, em novembro de 1899 o governo do Paraná cria o Distrito Policial de Canoinhas e nomeia Roberto Elke para o cargo de subcomissário. O escolhido recusa o posto argumentando que o território pertence a Santa Catarina e que, portanto, a indicação recebida é nula de pleno direito.

  Como prova de que exerce a plena jurisdição sobre as terras da região, o coronel Albuquerque, prefeito de Curitibanos, cria o Distrito de Paz e Policial de Canoinhas e nomeia o mesmo Roberto Elke como subcomissário. O indicado aceita a designação.

  Decorridos nove anos desde a sua fundação, a vila conta apenas com 60 casas e magras centenas de habitantes. Mesmo assim, e antes que o Paraná tome a decisão, com a Lei 907, de 12 de setembro de 1911, Santa Catarina transforma o distrito em município. O major Tomaz Vieira é designado como o primeiro superintendente.

  A criação do município de Canoinhas desencadeia uma série de protestos do Paraná. Isto porque, por uma lei paranaense, o território do município de Rio Negro incluía toda a área do novo município de Santa Catarina. Ao sul, os limites de Rio Negro iam até Lages. Mais tarde se contentaram em chegar só até Curitibanos, nos campos da Estiva.

  Anos depois, por sugestão de Oswaldo Rodrigues Cabral, a cidade Santa Cruz de Canoinhas inscreve em seu brasão o lema “Catharinensis semper”. De fato, “sempre catarinense”. Mas ela deverá pagar um alto preço de angústias e mortes durante toda a Guerra do Contestado.

Pesquisa: Luis Augusto dos Santos (Bodinho)  


ANTIGA ESTRADA DE FERRO CANOINHAS/MARCÍLIO DIAS


MARCÍLIO DIAS

(antiga CANOINHAS)
Município de Canoinhas, SC
km 611,945 (1988)    
Clique nas fotos para ampliar
  Inauguração: 04/10/1913
Uso atual: moradia   com trilhos
Data de abertura do prédio atual: n/d
 
HISTÓRICO DA ESTAÇÃO: Esta era a estação original de Canoinhas. Foi esta estação uma das atacadas e incendiadas durante a guerra do Contestado, em 1913. Com a abertura do curto ramal de Canoinhas, em 1930, ela passou o entroncamento com esse ramal, e teve alterado o seu nome para Marcílio Dias, em homenagem ao marinheiro gaúcho, herói da Guerra do Paraguai, que morreu enrolado na bandeira do Brasil, para não ter de entregá-la aos paraguaios, na batalha do Riachuelo, em 1865. A nova estação de Canoinhas passou a ser a da ponta do ramal. O ramal foi desativado para passageiros no final dos anos 1960 e desativado definitivamente em 1976.

Três prédios sobram da estação de Marcílio Dias, no interior do município de Canoinhas. O primeiro, erguido em tijolos, está totalmente abandonado. (nota do autor: este era o armazém). As aberturas foram arrancadas. O segundo, em madeira amarela e vermelha, ocupado por uma família que diz ter a permissão da prefeitura para viver ali. O terceiro, em madeira cinza, mantém o aviso: ponto de almoço/restaurante. Outra placa identifica a estação e conserva o alerta: proibida a permanência de pessoas estranhas na plataforma. Símbolo de normas de segurança ao patrimônio e à vida. Os avisos foram superados com o tempo. Não existem mais passageiros, viajantes, transeuntes. Só cachorros sarnentos. Os trilhos estão cobertos pelo mato alto. Sônia Sachetti é assessora administrativa da prefeitura de Canoinhas e informa que o município encaminhou um projeto de restauração da estação para o governo estadual. (Texto do jornal Diário Catarinense, de 28/07/2002)
     

A estação, ainda chamada de Canoinhas, sem data. Foto cedida pela EFBrasil

A estação, em 1972. Foto da revista Correio dos Ferroviários

A estação, em 2002. Foto Nivaldo Klein

O armazém, em 2002. Foto Nivaldo Klein

O restaurante, em 2002. Foto Nivaldo Klein

Saída do ramal de Canoinhas (1930-1976)
IBGE - 1957
     
     
Atualização: 08.12.2002
Pesquisa: Luis Augusto dos Santos (Bodinho)

Igreja Matriz

Igreja Matriz Cristo Rei de Canoinhas, decorada para o Natal

 

Canoinhas situa-se no planalto norte do Estado de Santa Catarina. O município desenvolveu-se a partir da chegada de imigrantes alemães, poloneses, ucranianos, italianos e sírios-libaneses e a primeira atividade economica foi o extrativismo da madeira e da erva-mate.

 A região foi palco de um dos maiores e mais sangrentos conflitos armados ocorridos no sul do país, a Guerra do Contestado, que se desenrolou no período de 1912 a 1916, conflito este desconhecido pela maior parte das pessoas, apesar de haver vitimado cerca de 20 mil combatentes, entre caboclos da região e soldados do exército do Paraná e Santa Catarina, e do envolvimento de diversos municípios vizinhos na disputa de terras, inflamados por um poderoso fanatismo religioso. 

As Origens do Município
     Fundado por Francisco de Paula Pereira, no final do século passado, o município de Canoinhas conquistou sua emancipação em 12 de setembro de 1911, desmembrando-se de Curitibanos. Seu nome, a princípio, era "Santa Cruz de Canoinhas".
    Situa-se às margens do rio Canoinhas e conta com uma área de cerca de 1.400 km², estando a 765 metros de altitude, num dos mais belos panoramas de todo o planalto. 
    Em seus primórdios Canoinhas cresceu rapidamente, dada a existência da erva-mate nativa, uma fonte de enriquecimento acentuado, já que o produto era comercializado sem dificuldades. Foi em razão deste comércio que Canoinhas se desenvolveu, hoje possuindo uma população de 49 mil habitantes.

    A agricultura local produz principalmente feijão, trigo, milho, batata e fumo. O incremento da produção se faz sentir pelos migrantes que aqui se radicaram, pelo solo fértil que encontraram e pela forte participação da agroindústria na economia local.

Chimarrao
O hábito do chimarrão
remonta aos primeiros
colonizadores

carroca
Meio de transporte utilizado pelos primeiros colonizadores no princípio deste século



 
 
 

Praca Lauro Muller Praca Osvaldo de Oliveira  
Antigo centro de Canoinhas. As construção eram de madeira, material abundante na região. Ainda hoje pode-se encontrar esses magníficos prédios nas localidades mais rurais, resistindo ao tempo, graças à insuperável qualidade da madeira nativa. 

Dados Sócio-Econômicos

Vista aerea da cidade
Foto aérea da cidade de Canoinhas

Venha você conhecer uma região de vegetação exuberante e clima agradável

 Canoinhas está à sua espera !

 Retorna a minha página principal


Pesquisa: Silvana de Nazareth Mesquita
Fotos: Foto Egon
Colaboração: Ivanita Schivinski