O VELHO
 

"Não chore, não junte os dedos em súplica, não se revolte: é preciso envelhecer."

(Colete)
Naquele canto há um velho,
cabisbaixo, silencioso, dorme.
Único ruído que emite é de uma cadeira de balanço
em que ele descansa o corpo.
Fico a observá-lo. Coitado!
Deve estar exausto!
Afinal, a jornada está longa.
Desde o dia em que sua mãe o gerou, ele vem vivendo...
bem ou mal, eu não sei.
Sei sim que jogou dados, tentou agarrar o mundo,
lutou e ensinou a vida a quem lhe pediu...
hoje ali está.
Sem querer faço um ruído e ...
- Desculpe, senhor, não quis acordá-lo!
E ele olha ternamente para mim.
Eu, ao ver seus olhos cansados, penso..
Se um dia sentir falta da pureza,
que olhe nos olhos de um velho.
Pureza mora lá.